Irmãos Decolores,
Ontem (7 de maio 2014) o Espírito Santo nos impulsionou a iniciarmos o GRUPO MCC MUSSUCA QUILOMBOLA (Laranjeiras-SE).
As reuniões serão inicialmente mensais na 1ª quarta-feira de cada mês.
Rezemos pelos neocursilhistas que iniciam a missão.
2 de mai. de 2014
Durante a primeira coletiva de imprensa da 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, foi divulgada nota por ocasião do Dia do Trabalhador. No texto, o episcopado brasileiro reconhece os avanços conquistados pela classe trabalhadora, mas também pontua os desafios que ainda persistem neste campo. A CNBB se faz solidária aos trabalhadores, manifestando apoio às suas lutas e reivindicações.
“A nota sublinha situações que depõem contra a dignidade dos trabalhadores quando fala de um salário mínimo que ainda é baixo, mesmo reconhecendo que houve uma melhora. Também chama a atenção para as situações precárias de trabalho, o desemprego forçado e lembra dos imigrantes que estão chegando ao nosso país” explica o arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, durante a entrevista coletiva.
No texto consta, ainda, a palavra deixada aos trabalhadores por São João Paulo II em visita a São Paulo no dia 3 de julho de 1980. Além disso, fala as mortes decorrentes das obras da Copa do Mundo.
Dom Geraldo Lyrio Rocha explicou que é tradição da CNBB divulgar uma mensagem voltada aos trabalhadores sempre que a Assembleia ocorre no dia 1º de maio, e considera que a reflexão apresentada hoje traz pontos de “máxima relevância e de extraordinária atualidade”.
A mensagem oficial pelo Dia do Trabalhador é assinada pelo arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis; pelo arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente, dom José Belisário Silva; e pelo bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral, dom Leonardo Steiner.
Confira abaixo a mensagem na íntegra
Nota da CNBB por ocasião do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora
Reunidos na 52ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de 30 de abril a 9 de maio de 2014, em Aparecida-SP, nós, os bispos do Brasil, dirigimos esta mensagem de esperança aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros na comemoração de seu dia neste 1º de Maio. Ao saudá-los, pedimos que estejam com vocês a graça e a paz de Cristo Ressuscitado, o Filho do Carpinteiro, a quem confiamos a vida, a luta, os sonhos e as utopias de todos vocês.
O Dia do Trabalhador e da Trabalhadora é ocasião propícia para recordar que o trabalho “constitui uma dimensão fundamental da existência humana sobre a terra” (Laborem Exercens, 4). Vocês, trabalhadores e trabalhadoras, “conhecem a dignidade e a nobreza do próprio trabalho, vocês que trabalham para viver melhor, para ganhar para suas famílias o pão de cada dia, vocês que se sentem feridos na sua afeição de pais e de mães ao verem filhos mal alimentados, vocês que ficam tão contentes e orgulhosos quando lhes podem oferecer uma mesa farta, quando podem vesti-los bem, dar-lhes um lar decente e aconchegante, dar-lhes escola e educação em vista de um futuro melhor. O trabalho é um serviço a suas famílias, e a toda a cidade, um serviço no qual o próprio homem cresce na medida em que se dá aos outros” (São João Paulo II aos trabalhadores em São Paulo, 3 de julho de 1980).
Assegurar trabalho decente a todos, com condições dignas para exercê-lo e com justa remuneração, é responder a esta vocação que faz do homem e da mulher colaboradores de Deus na obra da criação. Assim, constitui sinal de esperança constatar a queda do desemprego em nosso país, bem como o aumento dos salários e a ascensão social de milhares de trabalhadores.
Reconhecemos, no entanto, a permanência de situações que depõem contra a dignidade dos trabalhadores. O salário mínimo ainda é muito baixo e se mantém distante do valor digno preconizado pela nossa Constituição. A disparidade salarial entre os que exercem a mesma função também é uma triste realidade em nosso país quando se observa o fator gênero e raça.
Persistem igualmente situações de trabalho precário e de desemprego disfarçado, em que pessoas entram nas estatísticas como ocupadas, quando, na verdade, estão inseridas no mercado informal à procura de novas e melhores ocupações. Esta realidade tem atingido a maioria dos nossos jovens. Acrescente-se também o trabalho escravo que vitima milhares de pessoas em todas as regiões do país, bem como as más condições laborais a que são submetidos muitos trabalhadores imigrantes, conforme denúncia da Campanha da Fraternidade 2014.
O Brasil tem uma das taxas de rotatividade no trabalho mais altas do mundo. Preocupa-nos o crescimento vertiginoso dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais. Confirmam isso as recentes mortes de operários nas obras da Copa. A essas se somam as inúmeras mortes de trabalhadores que ficam no anonimato pelo país.
Outra realidade inquietante é a expansão da terceirização do trabalho no Brasil. Estudos do DIEESE (2011) revelam que o trabalhador terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego, tem uma jornada semanal de trabalho de três horas a mais e ganha 27% menos. A cada dez acidentes de trabalho, oito ocorrem entre terceirizados. A aprovação do Projeto de Lei 4.330, que regulamenta a prática da terceirização no país, poderá aumentar a precarização no mundo do trabalho.
A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem diminuição do salário é uma justa reivindicação dos trabalhadores que não pode mais ser protelada. Da mesma forma, a regulamentação da ‘PEC das domésticas’ é uma urgência que colocará fim a esta dívida social da nação brasileira. O mesmo se diga em relação aos aposentados que, após doarem sua vida com seu trabalho, são prejudicados com perdas na aposentadoria que lhes tiram o direito a uma vida tranquila e segura. Rever o fator previdenciário é demonstração de respeito e de reconhecimento aos aposentados.
Lembramos estas situações no Dia do Trabalhador e da Trabalhadora para chamar a atenção da sociedade brasileira para seu compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras com quem a CNBB se faz solidária, manifestando apoio às suas lutas e reivindicações. Anime a esperança de nossos trabalhadores e trabalhadoras a palavra de Cristo: “tenham coragem, eu venci o mundo” (Jo 16,33).
A todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, nossa especial e carinhosa bênção. O operário São José alcance de seu Filho, Jesus Cristo, proteção e graça para todos.
Aparecida-SP, 1º de maio de 2014
Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB
24 de abr. de 2014
Assista ao vídeo agora: https://www.youtube.com/watch?v=qSnBsqPdpvA
O quinto mandamento da lei de Deus versa sobre o
"não matarás". Além do entendimento óbvio de que se não se deve tirar
a vida de outrem, esse mandamento fala também sobre a necessidade de se
respeitar a vida humana em todas as suas formas.
O Catecismo da Igreja Católica agrega nesse tópico
as instruções sobre a legítima defesa, o homicídio voluntário, o aborto, a
eutanásia, o suicídio. Fala também sobre o respeito que se deve ter pela alma
do outro, evitando o escândalo, sobre o posicionamento acerca das pesquisas
científicas, o respeito à integridade corporal, aos mortos, etc. É um capítulo
extenso que abarca tudo que se refere à vida humana.
É neste mesmo capítulo, portanto, que se encontra o
pensamento da Igreja sobre o respeito à saude. Ele diz que "a vida e a
saúde física são bens preciosos doados por Deus. Devemos cuidar delas com
equilíbrio, levando em conta as necessidades alheias e o bem comum." Ora:
"se a moral apela para o respeito à vida
corporal, não faz desta um valor absoluto, insurgindo-se contra uma concepção
neo-pagã que tende a promover o culto ao corpo, a tudo sacrificar-lhe, a
idolatrar a perfeição física e o êxito esportivo. Em razão da escolha seletiva
que faz entre os fortes e os fracos, tal concepção pode conduzir à perversão
das relações humanas." (CIC 2288-2289)
"A perversão das relações humanas" é o
que claramente se vê nos tempos atuais. Recordando-se que o pecado original
introduziu na humanidade uma espécie de idolatria na maneira de amar,
desvirtuando-a, observa-se que esta idolatria produz uma tendência de
senhor/escravo. Quando essa dicotomia cresce sem controle torna-se o chamado sadomasoquismo,
no qual o ‘senhor’ sente prazer em provocar dor e mutilação no ‘escravo’, que,
por sua vez, se compraz em ser propriedade de alguém e em ser mutilado. É
justamente essa a cultura que está na base do ‘piercing’.
O Catecismo é cristalino ao dizer que "fora
das indicações médicas de ordem estritamente terapêutica, as amputações, mutilações ou
esterilizações diretamente voluntárias de pessoas inocentes são contrárias à
lei moral." (CIC 2297) Esta mesma orientação serve para as tatuagens.
É evidente que uma tatuagem e um piercing, de
maneira isolada, não podem ser considerados intrinsecamente maus. Necessário se
faz, como a Igreja, analisar o conjunto, o contexto em que eles são empregados.
Enxergar a razão pela qual a pessoa submete-se à violência que tanto um quanto
o outro representa para seu próprio corpo e contra o quê, de fato, ela está
lutando, constitui a resposta para esta questão.
O pecado, como se sabe, é uma invenção angélica,
portanto, é uma realidade espiritual. Deste modo, a atitude espiritual por trás
é que vai definir se determinada prática no mundo real é ou não uma
transgressão.
O contexto espiritual da tatuagem na cultura
ocidental, cuja matriz é cristã, é a atitude de revolta, do desejo de se romper
com os parâmetros tradicionais e de se inventar um novo jeito de amar e ser
amado. E, se o que rege esse novo modo de ser é o sadomasoquismo, então,
adentrar nessa cultura pode ser o início do declive espiritual que leva a um
erotismo exacerbado que acaba por degradar ainda mais a forma correta de amar.
Na base dessas duas práticas, em termos gerais,
existe uma atitude espiritual de não respeito pela ordem da criação divina e
pelo modo que Ele deixou como regra para amar. Além disso, observa-se também
uma atitude de profanação e dessacralização do que é templo de Deus, o corpo
humano. E isso é totalmente contrário ao quinto mandamento da lei divina. Não
se esquecendo ainda que também o corpo, obra maior da Criação, vai ressuscitar
e entrar no céu, na glória de Deus por todos os séculos.
* Fonte: https://padrepauloricardo.org/episodios/tatuagem-piercing?utm_content=buffer3f085&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer
19 de abr. de 2014
“A
ressurreição de Jesus não é o final feliz de uma linda fábula, mas a
intervenção de Deus Pai”, afirmou o Papa Francisco nesta quarta-feira (16)
A
ressurreição de Jesus não é o final feliz de uma linda fábula, mas a
intervenção de Deus Pai: palavras de Francisco na Audiência Geral da manhã
desta quarta (16), na Praça S. Pedro.
Antes da
catequese, o Pontífice fez o giro da Praça de papamóvel, para saudar os mais de
30 mil fiéis e peregrinos provenientes de várias partes do mundo.
Ao tomar
a palavra, Francisco falou da liturgia do dia, que nos apresenta a narração da
traição de Judas, como se Jesus tivesse um preço e estivesse num mercado. Este
ato dramático marca o início da Paixão de Cristo, um percurso doloroso que Ele
escolhe com absoluta liberdade e que atinge o ponto mais profundo na morte de
cruz: morre como um derrotado, um falido!
Olhando
Jesus na sua paixão, nós vemos como num espelho os sofrimentos da humanidade e
encontramos a resposta divina ao mistério do mal, da dor e da morte. Tantas
vezes, sentimos horror pelo mal e pela dor que nos circunda e nos perguntamos
como Deus permite o sofrimento e a morte, principalmente dos inocentes. Quando
vemos as crianças sofrerem, é uma ferida no coração. E Jesus toma todo este
mal, este sofrimento sobre si.
Nós
esperamos que Ele, na sua omnipotência, derrote a injustiça, o mal, o pecado e
o sofrimento com uma vitória divina triunfante. Ao contrário, Deus nos mostra
uma vitória humilde, que humanamente parece uma falência.
Mas,
aceitando esta falência por amor, supera-a e vence-a. “Vence na falência”,
explicou o Papa. Trata-se de um mistério desconcertante Se, depois de todo o
bem que realizara, não tivesse existido esta morte tão humilhante, Jesus não
teria mostrado a medida total do seu amor. A falência histórica de Jesus e as
frustrações de muitas esperanças humanas são a estrada mestra, por onde Deus
realiza a nossa salvação. É uma estrada que não coincide com os critérios
humanos; pelo contrário, inverte-os: pelas suas chagas fomos curados.
Quando
tudo parece perdido, é então que Deus intervém com a força da ressurreição.
A
ressurreição de Jesus não é o final feliz de uma linda fábula, mas a
intervenção de Deus Pai, quando toda a esperança humana já tinha desmoronado. E
também nós somos chamados a seguir Jesus por este caminho de humilhação.
Quando
acontecer que, mergulhados na mais densa escuridão, não vemos qualquer via de
saída para as nossas dificuldades, então é o momento da nossa humilhação e
despojamento total, é a hora em que experimentamos como somos frágeis e
pecadores. “Nesse momento, não devemos mascarar a nossa falência, mas, cheios
de confiança em Deus, abrir-nos à esperança, como fez Jesus”, prosseguiu.
O Papa
então concluiu sua catequese com um conselho:
Queridos
irmãos e irmãs, nesta semana nos fará bem pegar o crucifixo nas mãos e beijá-lo
muitas vezes. E dizer: obrigado Jesus, obrigado Senhor.
Fonte: Rádio Vaticano
14 de abr. de 2014
Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém pede-nos coerência e perseverança
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém pede-nos coerência e perseverança, aprofundamento na nossa fidelidade, para que os nossos propósitos não sejam luz que brilha momentaneamente e logo se apaga. Muito dentro do nosso coração, há profundos contrastes: somos capazes do melhor e do pior. Se queremos ter em nós a vida divina, triunfar com Cristo, temos de ser constantes e matar pela penitência o que nos afasta de Deus e nos impede de acompanhar o Senhor até a Cruz.
“A liturgia do Domingo de Ramos põe na boca dos cristãos este cântico: Levantai, portas, os vossos dintéis; levantai-vos, portas antigas, para que entre o Rei da glória (antífona da distribuição dos ramos). Quem permanece recluído na cidadela do seu egoísmo não descerá ao campo de batalha. Mas, se levantar as portas da fortaleza e permitir que entre o Rei da paz, sairá com Ele a combater contra toda essa miséria que embaça os olhos e insensibiliza a consciência”14.
Maria também está em Jerusalém, perto do seu Filho, para celebrar a Páscoa: a última Páscoa judaica e a primeira Páscoa em que o seu Filho é o Sacerdote e a Vítima. Não nos separemos dEla. Nossa Senhora ensinar-nos-á a ser constantes, a lutar até o pormenor, a crescer continuamente no amor por Jesus. Permaneçamos a seu lado para contemplar com Ela a Paixão, a Morte e a Ressurreição do seu Filho. Não encontraremos lugar mais privilegiado.
Pe. Francisco Carvajal
2 de abr. de 2014
Dom Orani João
Tempesta
Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
A
“revolucionária” ideologia de gênero vem tentando se implantar no Brasil por
meio de grandes esforços do poder reinante ou dominante. Diante desta situação,
incumbe-nos, enquanto brasileiros e cristãos, saber o que é essa ideologia
muito comentada, mas pouco definida, quais são suas raízes, como ela se impõe,
que objetivos tem e qual deve ser a nossa posição frente a ela.
É ponto
de partida desse sistema ideológico o seguinte postulado: nós nascemos com um
sexo biológico definido (homem ou mulher), mas, além dele, existiria o sexo
psicológico ou o gênero que poderia ser construído livremente pela sociedade na
qual o indivíduo está inserido. Desse modo, em última análise, não existiria
uma mulher ou um homem naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria
sexualmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído socialmente
homem ou mulher.
Nada
de novo debaixo do sol. Simone de Beauvoir, filósofa existencialista, já dizia
exatamente isso. Não se nasce mulher, mas você se torna mulher; não se nasce
homem, mas você se torna homem. Em suma, nada dependeria da natureza, mas, sim,
de uma construção sociocultural capaz de levar a relações igualitárias entre
dois seres humanos, naturalmente, diferentes quanto à sexualidade.
Uma
Nota da Conferência Episcopal do Peru, emitida em abril de 1998, com o título
La ideologia de género: sus peligros y alcances aponta a raiz marxista e atéia
desse sistema ideológico e assegura que segundo a ideologia de gênero, não é a
natureza, mas a sociedade quem vai impondo ao homem ou à mulher certos
comportamentos típicos. Desse modo, se a menina prefere brincar de casinha ou
aconchegar a boneca isso não se deveria ao seu instinto natural à maternidade,
mas tão-somente a uma convenção social dominadora. Se as mulheres se casam com
homens e não com outras mulheres, isso nada teria de natural, mas dever-se-ia
apenas a uma “tradição social” das classes dominantes.
Mais:
se o homem brinca de bola e sente necessidade de trabalhar fora de casa a fim
de melhor sustentar a família ao passo que as mulheres preferem, via de regra,
passar mais tempo em casa junto aos filhos (cf. Sueli C. Uliano. Por um novo
feminismo. São Paulo: Quadrante, 1995, p. 51-53), não estariam, de modo algum,
atendendo a seus anseios inatos, mas apenas se acomodando ao desejo elitista de
uma tradição opressora que deve ser rompida a qualquer momento. Sim, pois
segundo os defensores da ideologia de gênero essas construções sociais
opressivas só serviram até hoje para minimizar a mulher frente aos homens.
Seria necessário conscientizá-las de que a sua vida de casa, cozinha e criança
não tem mais sentido, essa conscientização levaria a mulher a entender o quanto
é explorada e enganada pelo modelo patriarcal de sociedade em que vivemos.
Uma
vez liberta, ela poderia optar por reconstruir-se do modo que bem entender.
Faria a sua escolha sexual com todas as consequências dela derivadas, ou seja, poderia
também optar por levar adiante uma gravidez ou praticar o aborto que, na
doutrina de gênero, não seria crime algum, mas, ao contrário um direito que
caberia à mãe. Embora, para não chocar a sociedade com o homicídio, prefira-se
um termo manipulado por meio de engenharia verbal como é, por exemplo,
“interrupção voluntária da gravidez”.
Isso
posto, já devemos – com a Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a
colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e na Sociedade, da Congregação para
a Doutrina da Fé, de 31 de maio de 2004 – aproveitar fazer, rapidamente, a
refutação de duas correntes contemporâneas que propalam pensamentos absurdos a
respeito da mulher: a subordinacionista, que a vê qual escrava, submissa ao
homem em nível familiar e social, e a de gênero, desejosa de apagar as
diferenças naturais entre homem e mulher. Afinal, a Escritura apresenta a
mulher como ezer (auxiliar ou companheira) do homem por analogia com Deus que é
ezer do homem (cf. Gn 2,4-25; Êx 18,4; Sl 10,35). Há entre mulher e homem
complementaridade, apesar das diferenças fisiológicas e psicológicas (não
meramente culturais). Iguais quanto à sua dignidade – um não é mais que o outro
– não se identificam em suas características peculiares, pois Deus criou homem
e mulher, não um andrógino polimorfo ou capaz de ter várias formas.
Outro
ponto a ser refutado é o que defende a liberdade de construção sexual. Com
efeito, assim como toda ideologia, a de gênero – considerada pelo estudioso
argentino Jorge Scala, em sua obra Ideologia de gênero: neototalitarismo e
morte da família (São Paulo: Katechesis, 2011), a mais radical já conhecida na
história, pois se aplicada destruiria o ser humano em sua integralidade e, por
conseguinte, a sociedade, cuja célula-mãe é a família – é também mentirosa. Ela
oferece às pessoas a ilusão de que serão plenamente livres em matéria sexual,
contudo, uma vez que essas pessoas tenham tomado a mentira por verdade, são
aqueles que detêm o poder real que escolherão, a seu beneplácito, o modo como o
povo deverá – padronizadamente – exercer a sua sexualidade sob o olhar forte do
Estado que tutelaria para que cada um fizesse o que bem entendesse. Dentro da
cartilha estatal, é óbvio. Só não se toleraria, por enquanto, as relações
sexuais não consentidas, todas as demais seriam válidas e deveriam ser
toleradas pelo Governo e pela sociedade em geral como lícitas.
Ora,
uma ideologia tão antinatural e artificial dessas não consegue se impor do dia
para a noite, nem recebe tão fácil acolhida da população, mas, ao contrário,
provoca resistências entre as pessoas sensatas em geral. Daí os arautos da
ideologia de gênero usarem, de modo conjunto, importantes estratégias para
dominarem o grande número de hesitantes.
Sim,
é imprescindível contar com os meios de propaganda de grande alcance tais como
o rádio, o jornal, as revistas, a TV, a internet, pois são veículos de
comunicação unidirecionais, ou seja, não permitem que o receptor da informação
dialogue com o emissor (sabemos como são manipuladas as opiniões que se enviam
para os sites) para, no caso de gênero, por exemplo, contestá-lo das inverdades
que diz. Apenas se aceita muito passivamente aquilo que lhe é transmitido.
Outro
meio formidável é o sistema educacional formal ou a escola. Por meio dela – em
um processo educacional inverso ao que sempre se conheceu, no qual o papel
primordial da educação ética e religiosa cabe aos pais – se veiculariam os
métodos impostos pelo Estado a ditarem as normas de vida social aos alunos e
estes deveriam, em casa, ensinar seus pais ou responsáveis doutrinando-os a fim
de que também aceitem as novas concepções totalitárias, incluindo como
carro-chefe a revolucionária ideologia de gênero, mãe de todas os outros
“libertinismos” sexuais.
Tudo
isso, porém, depende, para ser imposto, de uma ardilosa máquina de propaganda
que age especialmente, a partir de três etapas fundamentais: primeiro, usar,
desde logo, uma palavra comum, mas com sentido totalmente diferente. Desse
modo, falar-se-ia em sexo e gênero, alternadamente, como se fossem meros
sinônimos até que as pessoas, de maneira imperceptível, começassem a usá-las
sem se questionar, ao menos em alguns ambientes específicos como as escolas,
redações de jornais, rádios, igrejas etc.
Segundo,
bombardear a opinião pública pelos meios de educação formais (escola) e
informais (rádios, TVs, jornais, revistas, internet) valendo-se da palavra antiga
com sentido novo ou transfigurado pela cirurgia ideológica nela realizada. Aqui
já se substituiria o vocábulo sexo por gênero e se lhe acrescentaria os
sentidos revolucionários de “sexo socialmente construído” em oposição ao sexo
biologicamente dado pela natureza, falar-se-ia em “tipos de casamentos” e não
mais no matrimônio monogâmico e estável com bases religiosas, etc.
Observa-se,
então, que as pessoas aceitariam o termo clássico (sexo) com um conteúdo novo
(gênero). Estaria imposta, por uma forte “heterossugestão”, um novo modelo de
pensar: simples homens e mulheres, sem qualquer pressuposto filosófico,
sociológico ou antropológico, estaria falando, de modo falacioso, que gênero é
a “autoconstrução livre da própria sexualidade”. A opinião pública estaria
dominada para acatar todo tipo de “vida sexual” contrária à natureza:
poligamia, prostituição, orgias, pedofilia, pornografia, zoofilia (relação
sexual com animais), necrofilia (encenação de ato sexual com defuntos) etc.
Tudo
isso graças ao substrato de uma nova linguagem de características obscuras,
próprias para causar confusão na mente de quem com elas toma contato, evitando,
assim, que o ouvinte ou o leitor consiga rebater a mensagem implícita naqueles
termos que parecendo esdrúxulos têm uma finalidade muito específica na
veiculação da ideologia de gênero. Alguns deles são “sexismo”, sexualidade
polimórfica, homofobia, “androcentrismo”, tipos de família, “parentalidade”,
heterossexualidade obrigatória, etc. e quem toma contato, sem pressupostos, aceita
às escuras tais termos e os repete trabalhando, ingenuamente, para a ideologia
de gênero e, por consequência, contra a vida, a família e os alicerces da
própria sociedade.
Pergunta-se,
então, se diante de uma ideologia “revolucionária" e perversa, como se
revela ser a ideologia de gênero, cabe aos católicos a coragem ou o medo? –
Scala responde com uma citação de Jean Gitton, filósofo francês, que diz o
seguinte: “Em todos os séculos, diz-se que a Igreja vai cair, e ela se mantém.
É incrível. Em cada século diz-se que não é como os séculos precedentes, que
desta vez é definitiva e que a Igreja não se salvará. E sempre se salva. Veja,
ainda no século XX. O comunismo a enterraria. Todo mundo dizia isso. Eu também
esperava o pior, na Europa e em todos os lugares. O que aconteceu? A Igreja
enterrou o comunismo. E já veremos que a mesma coisa vai acontecer com o
liberalismo que se acredita eterno. Aos olhos humanos nenhuma pessoa sensata
poria um centavo nas ações do ‘Catolicismo’. Hoje em dia se diz: o consumismo e
o sexo varrerão a Igreja. Bom, eu não acredito. Uma vez mais, acontecerá algo,
não sei o quê. Repito: é incrível. Toda esta história é inverossímil” (Mi
testamento filosófico apud Scala, p. 195).
Certo
é que não basta só confiar nessa força sobrenatural da Igreja, é preciso fazer
a nossa parte conhecendo e apresentando ao público a verdadeira face da
ideologia de gênero escondida atrás de uma fantasia carnavalesca. Olha-nos
sorridente para conquistar-nos. Uma vez conseguido seu intento, fecha sua carranca
e ataca-nos impiedosamente para destruir a vida, a família e os valores sociais
alicerçados na lei natural moral que ensina a fazer o bem e evitar o mal.
Todavia, quem se julgar livre para defender os valores naturais e cristãos pode
ser duramente perseguido, moral e fisicamente, como já se faz, ainda que um
tanto veladamente, em não poucos países. A classificação de “retrógrado” e
outros nomes é muito comum na verbalização e condenação daqueles que conseguem
refletir sobre esses fatos.
Em
tempos como os nossos, ter coragem para defender os princípios cristãos
libertadores – é para a liberdade que Cristo nos libertou, Gl 5,1 – é expor-se
ao próprio martírio de sangue, mas as palavras do Senhor Jesus nos encorajam:
No mundo tereis tribulações, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo (cf. Jo
15,18-27).
Fazemos
votos para que todas as forças vivas da nação se unam em defesa da vida e da
família e, consequentemente, da sociedade em geral a fim de que possamos,
diante de Deus, deixar ao nosso povo em geral, especialmente às nossas
crianças, adolescentes e jovens, a certeza de que não fomos omissos e lutamos,
dentro da lei e da ordem, para que uma ideologia que pretende ser
“revolucionária” como a de gênero não os prejudicasse. Nem hoje, nem amanhã.
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